quinta-feira, março 02, 2006

Nós por cá

Escrito por Elise às 11:47 da manhã

13 Comments:

Eu penso que o peso da educação judaico-cristã tem de ser aliviado dos nossos ombros.

Seja qual for o modelo que seja escolhido, eu espero que não deixe às futuras gerações os preconceitos e sentimentos de culpa que a minha tem, no que ao sexo diz respeito.
Blogger Dragonesso, at março 02, 2006 1:07 da tarde  
mas se fosses pai, deixarias a educação sexual para os professores? não irias ensinar como a abstinência até uma certa idade ou a fidelidade são importantes? a tradição judaica-cristã só tem aspectos negativos?
Blogger Elise, at março 02, 2006 1:38 da tarde  

:D
Blogger eduarda maria, at março 02, 2006 2:32 da tarde  
primeiro mandei a boca, agora, explico-me.
a tradição é uma coisa terrivel de gerir. a luz que nos criou e que fez de nós pessoas de bem ensinou (ou deveria ter ensinado) que o mundo pula e avança e que nada fica como dantes. como educadora, ensino o que aprendi, mas á luz do presente e não do passado. ou seja, quando em adolescente jurava que não ia fazer aos meus filhos o que os meus pais faziam comigo é verdade. faço, digamos, parecido - ajusto os valores que me incutiram ao novo mundo. sobretudo, ensino que não é a tradição nem os dogmas da religião que devem conduzir as suas acções mas antes o respeito por si mesmo e pelo próximo
Blogger eduarda maria, at março 02, 2006 2:39 da tarde  
Sobre os vouchers...

Um sistema de vouchers pressuporia o financiamento "público" e a liberdade de escolha das pessoas.

Aqui, o financiamento não deixa de ser público, e as pessoas não têm opção? só são assistidas por privados se os serviços públicos não derem vazão às listas de espera? independentemente da questão dos serviços privados custarem menos a quem financia.

Se os privados conseguem produzir serviços de Saúde a custos inferiores que o serviço público, é de elementar racionalidade que o Estado abandone a produção "pública" de Saúde para passar a financiá-la, subcontratando os privados.

O serviço público terá de ser emagrecido. Os poucos empregos que existem (demasiados para os custos) serão substituídos pelos muitos que seriam criados em regime de concorrência, com a vantagem dos profissionais serem os mesmos. É consensual, a não ser por motivos de proteccionismo sindical das regalias ("direitos adquiridos") que o actual sistema proporciona com dinheiros "públicos".

O Estado concentrar-se-ia na sua função de gestão do financiamento? o que tanto pode ser feito de forma isenta, como pelas mais aberrantes teorias de "justiça social", o que levanta sérias reticências...

Este sistema não proporciona às pessoas liberdade de escolha, o que só seria possível se o Estado financiasse as pessoas e não as instituições. Seria então o caso dos vouchers ou plafonds.

A partir daqui ficam satisfeitas grande parte das teorias assistencialistas? como defendidas por democratas-cristãos e muitos liberais, que passariam então a discutir o grau de "apoio do Estado" ao indivíduo.

Contudo, a visão "libertária" defende ainda que as pessoas têm de aceitar a "lotaria da vida" que lhes calha com a sua herança genética; tomar providências para o que lhes possa acontecer pela vida fora, incluindo doenças "normais" ou catastróficas, velhice e morte; adaptar o estilo de vida em consequência e responsabilidade? lançando mão das ferramentas familiares e comunitárias que entenderem melhor. [isto seria permitido, claro, com um Estado assistencialista]. Mas também que o Estado não deve forçar as pessoas a aceitarem a sua política, inclusivamente desviar capitais privados, a não ser em casos muito extremos? tal como não deve mexer na Economia a não ser numa guerra...

Enfim, o "vale-cirurgia" por enquanto é uma manobra de marketing? mas poderá ser um princípio de mudança...
Blogger AA, at março 02, 2006 3:19 da tarde  
vou por ti Elise. eu educo. e partilho dos teus princípios neste ponto. SÓ. ( LOL!!! ). a escola que ensine, se conseguir. parece que não é...bjinho.
Blogger spartakus, at março 02, 2006 3:40 da tarde  
Estou a ver que uma operação num hospital público é mais cara que no sitema privado de saúde... Porque será?...
Boa tarde!
Blogger Gonçalinho, at março 02, 2006 5:46 da tarde  
Se eu fosse pai ia depender do sexo do filho.

Se fosse rapariga então teria rédea curta. Se não tivesse essa limitação, não vejo razão para não deixar o meu filho gozar a vida.
Blogger Dragonesso, at março 02, 2006 7:07 da tarde  
Penso que cada pai(e mãe claro) se devia responsabilizar pela educação sexual dos próprios filhos.
Tal como as tendências políticas, futubolísticas, culturas, ideais... são quase sempre construidos em casa, também o sexo o deveria ser.
Mas como também há muitas famílias em que entre pais e filhos nem de futebol se fala, é uma questão um bocado difícil...

Quanto a dar preservativos nas escolas a jovens para se protegerem, já agora comecem também a dar seringas... pois nunca se sabe!

O Casulo
Blogger O Casulo, at março 02, 2006 10:17 da tarde  
Realmente e muito dificil, o que o dragonesso diz e a realidade, sou pai de uma rapariga de 15 anos, que ja quer ir para ali e para acola, e dou comigo muitas vezes a pensar para os meus botoes: Se fosses um rapazeco... (sou um pouco saloio), estavas a vontade, mas es rapariga que hei-de fazer...? Terei que ir contigo, Penso: ver como as coisas se passam e tal, (re)comeco entretanto a gostar de festinhas e discotecas, "ya ta-se bem!" :/, E claro que e importante deixar livre o seu proprio espaco.
No entanto as vezes falo-lhe sobre sexualidade, noto logo como que uma resistencia. No entanto nao deixo de a aconselhar e falar abertamente sobre o assunto, e tambem sob o ponto de vista de um rapaz que ja fui, mesmo com ela a desviar os olhos e a cara para o lado.
De onde veem estes preconceitos...?
Anonymous Anónimo, at março 02, 2006 11:55 da tarde  
anonymous, não leves a mal que te responda aqui, na sala da elise. a elise sei que nao se importa.
tb tenho uma rapariga de 15 anos e o preconceito está em ti (e em mim ja que devemos ser da mesma geraçao) e nao nela.
hoje em dia a clivagem que existia no nosso tempo entre os "poderes" e as "liberdades" entre os rapazes e as raparigas já nao existe. ou existirá, sim, mas com outros contornos, talvez os proprios da propria diferença de sexos e não os impostos pela sociedade.
é aí que no cabe, como pais, arranjar uma grande capacidade de adaptação ao novo mundo. é fascinante :)
Blogger eduarda maria, at março 03, 2006 9:35 da manhã  
eduarda, julgo que há certos valores que não devemos deixar de incutir no nossos jovens, por muito que a sociedade evolua.sou conservadora em alguns aspectos, não nego.

AA, mais uma vez um excelente comentário, obrigada Obi Wan!
Blogger Elise, at março 03, 2006 11:27 da manhã  
tens razao elise. os valores são o que nos separa dos animais. mas não vale a pena pensar que não têm de ser adaptados à realidade presente.
Blogger eduarda maria, at março 03, 2006 2:59 da tarde  

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