quarta-feira, maio 24, 2006

Quando o pacifismo se confunde com inacção

Escrito por Elise às 8:51 da tarde

10 Comments:

Pois, Timor... Também fiz um post sobre este assunto. Parece-me que Portugal está novamente a esquecer Timor, deixando-a entregue às fera...

Boa noite!
Anonymous sa morais, at maio 24, 2006 11:18 da tarde  
Pois eu acho que Timor se lembra de nós quando precisa, para depois rapidamente nos esquecer. Devemos pois ser menos ingénuos em relação ao afecto dos timorenses em relação a Portugal.
Quem vai explorar o petróleo do mar de Timor (Itália, Austrália) que trate de ajudar a pôr calma no local. Ora não me parece que a Austrália tenha propriamente feito grandes esforços diplomáticos para pôr fim à invasão Indonédia. Afinal servimos para mandar tropas da GNR, mas não servimos para parceiros comerciais?
Blogger Aves Raras, at maio 25, 2006 1:53 da manhã  
Importa não esquecer.
Nunca é demais lembrar, Elise!
Blogger Susana Barbosa, at maio 25, 2006 2:00 da manhã  
Aves raras tem plena razão.

E o que vai fazer a GNR ? Tomar partido por uma facção do partido único - que está no governo - contra a outra facção do mesmo partido único que quer o poder ?

E quando morrer o primeiro GNR no meio desta guerra civil ?

E os esquemas de corrupção montados pelo governo do sr. Alcatiri com a complacencia do Sr. Gusmão que faz com que sejam familiares dos governantes em posse que aparecem sistematicamente nos lugares chave dos poucos negócios que dão dinheiro e na distribuição da avultada ajuda internacional ?

É que, menina Elise, já o meu pai me dizia para ter cuidado com os comunistas (assim, sem mais palavras). E o que a menina está à espera de um grupo de governantes que ideológicamente são de formação maoista e que fizeram da guerrilha a sua prática politica ?

Já esqueceu que foi a intenção de implantar um regime de tipo norte vietnamita que obrigou á invasão indonésia ? Nessa altura, os Alacatiris já se estavam a borrifar para os portugueses, ou não ? Se tivesse sido a facção pró-portuguesa a liderar o processo, a indonésia nunca tinha invadido.

É que convém não esquecer os trambolhões da história, menina Elise, e não nos deixarmos levar pelo lágrima fácil suscitada pela imagem de uma criança africana.

Portugal só lhes foi útil para forçar á independencia. As elites de Timor estam-se a cagar, insisto, a cagar, para Portugal.

Eu para Timor já dei o que tinha a dar. São independentes, agora entendam-se. Já não estamos perante a ocupação indonésia. Agora é um assunto privado entre eles.

E se a tropa portuguesa nunca serviu para ter ido a Africa proteger os nossos concidadãos retornados, parece que não deve ser enviada para o meio de uma guerra civil.

Aqueles que agora já estão a chorar o drama das crianças timorenses que pensem no drama das crianças portuguesas, filhas dos GNR que vão por lá morrer. Ou pensam que aquela guerra civil vai ser um pic-nic ? A população está independente mas vive na miséria. A independencia só foi uma coisa boa para quem está no poder. O resto da malta ou ficou na mesma ou pior. E por isso, mesmo que esta crise se resolva, outras surgirão. Ou pensa que a economia planificada do Sr. Alacatiri vai levar o desenvolvimento económico a Timor ?
Anonymous carneiro, at maio 25, 2006 8:48 da manhã  
Olá,
eu concordo com o Aves raras e o Carneiro, foi isso mesmo que comentamos em casa ou ouvir as noticias. Parece que Portugal só serve para umas coisas mas para outras somos postos à parte.. É triste ver que depois de tanta dificuldade para que Timor se libertasse, alguns Timorenses não aprenderam nada, bem pelo contrário.Não sei o que isto vai dar mas não me parece que a GNR vá conseguir por termo à rebelia! Bjhs
Blogger maresia_mar, at maio 25, 2006 9:09 da manhã  
Invocamos que se trata de um problema interno para não intervir.

Não foi isso que se fez no Ruanda, na Libéria, na Serra Leoa...?

E depois que diz hoje que é um problema interno, amanhã virá lamentar a incapacidade de intervenção dos governos ocidentais e da ONU?

Invocar a condição de "problema interno" não equivale a pactuar com um potencial genocídio?

Quando um Estado se desintegra ou se torna incapaz de assegurar a paz e a tranquilidade das suas populações, então a Comunidade Internacional deve intervir (com mandato da ONU, evidentemente).

NOTA: Invocar a questão GALP-ENI no caso de Timor é uma atitude mesquinha.
Blogger Marco, at maio 25, 2006 9:40 da manhã  
A questão da Galp, realmente, é "mesquinha". Tratou-se de um concurso internacional e acho muito bem que não haja favorecimentos aos ex-colonizadores. Quanto à questão e fundo, é muito complicado traçar a linha entre a "questão interna" e a "questão internacional".

Há muita coisa em jogo. Talvez nenhum dos partidos seja o correcto. Mas será incorrecto deixar que a população sofra, a exemplo dos anteriores acontecimentos aqui lembrados. Será? Até que ponto se deve intervir, mesmo que se trate de um genocídio ou algo parecido? E depois da intervenção, devemos deixar o Governo entregue a quem de direito (e esperar que dure mais de meia dúzia de anos antes de outra guerra), ou implantar o nosso ideal de regime e manter lá tropas para controlar a situação (para sermos acusados de ingerência ou de imperialistas)?

(http://otelescopio.blogspot.com/2006/04/histria-nunca-falha.html), da data de início dos confrontos.
Blogger Tiago Alves, at maio 25, 2006 2:06 da tarde  
Nós só perdemos influência porque nos retirámos duas vezes de Timor. Após a independêndia deviamos ter mantido uma presença muito mais visivel no território. Não basta enviar meia dúzia de professores para lá! Temos as oportunidades, mas nunca aproveitamos. Seria bom para ambos os países, se Timor tivesse uma parceria activa ( económica, cultural e militar )
com Portugal.
E qual seria o problema de lá estarmos? A França e a GB não possuem protectorados e departamentos um pouco por todo o mundo? E que os critica? Além do mais seria parceria e não colonialismo como fazem esses dois países.
Os italianos que vão "brincar" para a Etiópia, onde têm a ligação "afectiva" de terem morto milhares de etiopes entre 1936 e 1941, sob a dministração do Benito.
De italianos, estamos falados...
Em relação à Austrália, potência regional naquela parte do mundo, parece-me que o envio de 1300 homens, um contigente que supera em número todo o exército timorense, é uma ajuda muito dúbia... Os australianos tentaram sempre sacar o petróleo do Mar de Timor. Quem vai controlar esse contigente, se ele chegar a desembarcar em Timor? Qual será o prazo dessa intervenção? Pois...
Anonymous sa morais, at maio 25, 2006 5:50 da tarde  
Também no Médio Oriente, parece que os palestinianos não se estão a dar muito bem com a liberdade; estão a usá-la para se matarem uns aos outros por questões que são também, seguramente, mesquinhas. Alguns "Arafates" portugueses devem estar agora confusos; parece que afinal os palestinianos não são um povo tão pacífico e ordeiro quanto se argumentava; o "povo mártir da palestina" (conversa à Bloco de Esquerda) gosta bem de dar porrada...

Em Timor, a coisa não é muito diferente. Quando "abandonámos" Timor, isso foi motivo de festa. Só quando foram invadidos pela Indonésia é que vieram as "saudades dos portugueses". Portugal durante 30 anos "manteve a chama acesa", e Timor é agora um país livre da invasão Indonésia. Em liberdade, deu as suas riquezas a explorar a terceiros. Estão no seu direito, é verdade. Até aqui, tudo bem. Mas eis que a violência volta a surgir, e de novo os portugueses são chamados. Ora se eu sou mesquinho, eles são, no mínimo, ingratos e interesseiros.

Por mim a GNR até podia ir, desde que fosse a expensas dos australianos/italianos. É que, talvez já tenham ouvido, estamos em tempo de vacas magras. Façam o seguinte exercício: vejam quanto dinheiro vai ser gasto, e dividam por 10 milhões de pessoas. Isso é o que nos sai do bolso. Quanto ao petróleo, escusam de fazer contas; esse entra noutros bolsos.

Não me parece que esteja em perspectiva um genocídio, mas nem isso altera o meu argumento: quem tem interesses na região que contribua financeiramente para a paz na região. É que a malta não só não tem lá interesses económicos relevantes, como na verdade anda no meio de uma crise.

O que está em causa não é um mandato da ONU, mas um pedido directo do governo de Timor. Não façamos confusões. E "genocídio" parece-me uma fantasia...
Blogger Aves Raras, at maio 26, 2006 11:11 da manhã  
Infelizmente ontem não estive cá durante o dia, para ter entrado na douta discussão. (douta e elevada)

Saliento, apenas, alguns pormenores: não está em causa o perigo por um "genocídio" pois este pressupõe a exterminação de um povo, raça ou etnia por outro povo, raça ou etnia. Trata-se de uma guerra civil entre facções do mesmo partido do mesmo povo para resolver questões que não foram ultrapassadas no congresso do partido na semana passada. Ou sejam para resolver coisas que qualquer democracia resolve nas calmas, menos os dirigentes do partido, pois sabemos qual é a escola política deles.

A questão do petróleo não é mesquinha. Eu é que não aceito que se diga "os irmãos timorenses" quando é para os portugueses terem chatices e despesa, mas já sejamos os "ex-colonizadores" quando chega a hora de atribuir as concessões de exploração do petróleo.

Como dizia o meu avô: "amizade que convenha é a que vai e a que venha". E e cá já foi muito e não vejo que venha nada.

Objectivamente a facção do partido unico que está no poder pediu uma intervenção militar estrangeira para obter protecção daquela outra facção do mesmo partido que anseia pelo poder.

Já vi muito boa gente criticar duramente os americanos por ingerencias muito menores...
Anonymous carneiro, at maio 26, 2006 12:23 da tarde  

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