segunda-feira, novembro 20, 2006

Ensino público para que serves?

Escrito por Elise às 12:31 da tarde

14 Comments:

"Doutrinar sim, ensinar não..."
... pois é... é o que está a dar! :p
Anonymous Áurea, at novembro 20, 2006 3:23 da tarde  
Até porque a instrumentalização é feudo das Juventudes partidárias, que gastam rios de dinheiro a financiar as listas para as associações de estudantes.Boa semana.
Anonymous Anónimo, at novembro 20, 2006 4:39 da tarde  
Lembram-se da revolta nos media porque o PNR andava a "recrutar" jovens nas escolas?

Onde está a mesma indignação?
Blogger Elise, at novembro 20, 2006 5:09 da tarde  
Pior que isso: Quem é que anda sempre a instigar os jovens para as manifs quando o PS é oposição?
Ó Elise: e para que é serve um ensino Estatal, senão para doutrinar? Se não fosse esse o objectivo, há muito que o ensino seria privado.
Boas intenções do Estado... deixem-me rir!!
Blogger Gonçalinho, at novembro 20, 2006 6:34 da tarde  
Apoio as medidas da Ministra da Educação na sua generalidade.

"Gonçalinho"
A educação pública e gratuita é uma conquista social e um factor de justiça social. É importante que a linha de partida para a vida da competitividade laboral, seja o mais igual possível. No que toca ao Estado, esse papel tem que ser desempenhado, já que não se deve intrometer na vida familiar de cada um.
Se mais dinheiro puder sempre pagar melhor educação, as pessoas das classes mais baixas deixam de poder ascender por igual mérito que as outras.
Que justiça retiras disso?
Blogger Rouxinol, at novembro 20, 2006 11:01 da tarde  
Caro "Rouxinol" (o meu nome não precisa de estar dentro de parêntises, porque é mesmo o meu nome, em diminutivo):
Com o sistema público de ensino, não se ensina melhor, antes pelo contrário. Porque há-de uma escola fazer mais e melhor se o dinheiro chove na mesma?
Sendo assim, nivela-se a maioria por baixo, e só as classes altas podem pôr os filhos nas melhores escolas.
Se todo o ensino for privado e sem licenciamentos burocráticos, nem o Estado lá mete a mão, nem as escolas serão todas assim tão caras.
E o Estado pode subsidiar o indivíduo (cheque-ensino) e não o estabelecimento, obrigando o provedor do serviço (escola) a um esforço real para melhorar esse serviço.
Blogger Gonçalinho, at novembro 21, 2006 2:11 da manhã  
Repetir a mesma lenga lenga- o estado gasta anualmente por aluno mais de 4000 euros. Porque não "devolver" esse dinheiro aos pais, através do cheque ensino, permitindo a liberdade de escolha parental e fomentando a competição entre as escolas- essa competição iria eliminar naturalmente as más escolas públicas e privadas- para além de (o mais importante) beneficiar as crianças de um NSE baixo, que estão sujeitas à ditadura do estado e dos burocratas "só podes frequentar esta escola pública". Penso sobretudo nas crianças dos bairros sociais - (fiz a primaria numa escola de um bairro social por isso sei o que digo). Essas crianças podem escapar ao ciclo de pobreza e dependência do estado se tiverem a oportunidade de escolher a sua escola.

Também seria necessário que as escolas tivessem uma maior autonomia, na gestão e administração. Assim a concorrência seria verdadeira.
Mais aqui.

Esta ministra tem alguns aspectos positivos. Mas é preciso fazer mais, muito mais, antes que se percam outras gerações no ensino público.

Para além disso, os pais como clientes teriam um papel mais activo, e talvez não tolerassem certas doutrinas na escola pública. Sejam de esquerda ou de direita. A escola serve para ensinar e não para doutrinar.

Já agora, porque não podem os pais ensinar os seus filhos em casa? Todas as crianças devem pertencer ao Estado?
Mais info aqui - http://www.friedmanfoundation.org/

O falecido Milton Friedman apoiava ferverosamente a School Choice. :)
Blogger Elise, at novembro 21, 2006 12:41 da tarde  
Gonçalinho:

"Porque há-de uma escola fazer mais e melhor se o dinheiro chove na mesma?"
Não é essa a pergunta que deves fazer. A pergunta é "porque há-de um professor fazer mais e melhor se o dinheiro chove na mesma?"
A resposta será, através de mudanças no ECD, premeia-se o esforço e os resultados. Como vês, não é preciso privatizar nada!

"Se todo o ensino for privado e sem licenciamentos burocráticos, nem o Estado lá mete a mão, nem as escolas serão todas assim tão caras."
O preço podia baixar e o ensino melhorar numa hipotética concorrência perfeita, sim é verdade. Mas depois tens um senão...mais dinheiro passa a pagar melhor ensino, e hierarquizam-se as escolas, os alunos deixam de estar em justa concorrência uns com os outros.
Ao invés da tua solução, é possível melhorar o ensino sem ter que o hierarquizar

"E o Estado pode subsidiar o indivíduo (cheque-ensino) e não o estabelecimento, obrigando o provedor do serviço (escola) a um esforço real para melhorar esse serviço."
E será que obrigaria o provedor a limitar o preço da educação ao cheque-ensino??
Blogger Rouxinol, at novembro 21, 2006 8:31 da tarde  
Não. Sem limites instituidos. Os limites de preços são sempre naturalmente impostos pelo mercado. A igualdade de acesso está na liberdade total de escolha do estabelecimento, e não no preço.
Senão, eu posso reinvindicar o mesmo ordenado que o Figo, senão fico em desvantagem...
E bolsas para os melhores alunos, além do cheque ensino?
"mais dinheiro passa a pagar melhor ensino, e hierarquizam-se as escolas" Devo deduzir, então, que isso não acontece agora...? (vou evitar rir, por mera educação)
Blogger Gonçalinho, at novembro 21, 2006 9:13 da tarde  
«"mais dinheiro passa a pagar melhor ensino, e hierarquizam-se as escolas" Devo deduzir, então, que isso não acontece agora...? (vou evitar rir, por mera educação)»

Então vamos comparar o cheque-educação, não com o "agora", mas com um sistema alternativo - escolas públicas, financiadas de acordo com o número de alunos matriculados e podendo qualquer aluno poder ser matriculado em qualquer escola; em vez de directores nomeados, as escolas continuariam geridas pela "comunidade educativa" - encarregados de educação, professores, alunos, etc. (vou deixar de lado a questão do peso que cada grupo deveria ter).

Num sistema desses, de certeza que havia muito menos hierarquização do ensino pelo dinheiro do que num sistema de cheque-ensino.

E, mesmo hoje em dia, sinceramente, não sei se "mais dinheiro paga melhor ensino" - quando eu andava no 10º ano, os meus colegas que tinham vindo da "Escola Internacional do Algarve" eram uma desgraça total (a impressão que eu tenho é que, pelo menos nos níveis inferiores do ensino, o que leva os pais a optar pelo privado é mais o medo das "más companhias" do que a qualidade do ensino em si).
Blogger Miguel Madeira, at novembro 21, 2006 10:32 da tarde  
Quanto ao assunto original, até é possível que a teoria da conspiração esteja correcta e que os primeiros SMS tenham sido postos a circular às ordens dos sindicatos dos professores, mas o certo é que os alunos (alguns) aderiram a elas, e duvido que tenha sido por influência directa dos professores (até porque duvido que, nestas idades, os professores tenham alguma influência sobre os alunos).
Blogger Miguel Madeira, at novembro 21, 2006 10:38 da tarde  
Já agora (espero que a Elise não leve a mal esta auto-promoção da minha parte), um post que escrevi há uns meses sobre as aulas de substituição.
Blogger Miguel Madeira, at novembro 21, 2006 10:43 da tarde  
"não sei se "mais dinheiro paga melhor ensino"" Não sei se era esta a sua intenção, mas o Miguel Madeira, nesta frase, dá-me razão. O melhor ensino não depende do dinheiro, mas daquilo que se faz com ele. Uma escola privada de custos mais baixos pode ser melhor que outra que só as classes mais favorecidas podem pagar. Se assim for, o cliente escolhe aquela escola e a escola mais cara perde dinheiro, até que baixe também o preço ou melhore o seu produto.
Blogger Gonçalinho, at novembro 22, 2006 1:48 da manhã  
Artigo interessante aqui (se não viram o post anterior)
Reparem no resultado da aplicação do cheque ensino em Wisconsin:

"research on the ProgramMilwaukee has been studied twice with random-assignment methods, the gold standard for social science. Random assignment compares students randomly selected to receive a voucher with students who applied for the voucher but were not selected, thus providing highly similar ?treatment? and ?control? groups similar to those in medical trials. ? A 998 Harvard study found that, after four years of participation, Milwaukee voucher students gained 11 points in math and six points in reading compared to the control group.? A 998 study by Cecilia Rouse of Princeton found that voucher students outperformed the control group by eight points in math over four years.In a 004 study, researcher Jay Greene found that in the graduating class of 003 , private schools participating in the voucher program had a graduation rate of 64 percent, while Milwaukee?s public high schools had a graduation rate of 3 6 percent.Research also finds that the Milwaukee program improves public schools:? In a 001 study, Caroline Hoxby of Harvard found that public schools more exposed to voucher competition had test score gains over a three-year period that outpaced other public schools by 0 percentile points in math, nine points in language, 6 points in science and eight points in social studies.? A 003 Manhattan Institute study found that fourth grade test score gains were much bigger in schools in which more students were eligible for vouchers; a school with 00 percent of students eligible would have gains 5 points higher than a school with only 50 percent eligible."

Depois de ler isto, vejam as respostas do Louçã, do Jerónimo e de Alegre sobre o cheque-ensino, durante a campanha para as presidenciais (aqui: http://www.forumdafamilia.com/noticias/Dez2005/031205b.htm):

Louçã:
Não. O cheque-ensino é uma invenção da direita liberal que tem como único fim desviar os recursos das escolas públicas para financiar as escolas privadas. Nem os Estados Unidos, onde essa teoria nasceu, adoptam o cheque-ensino, à excepção de um único estado, onde os seus resultados são cada vez mais contestados pela selecção social que têm gerado.

Jerónimo: 2.[...] O cheque ensino aparece como mais uma medida para substituir o ensino público pelo ensino em escolas privadas, financiadas pelo Estado, contrariando o princípio que estabelece o ensino público como um direito e o ensino privado como uma opção. Assim sendo não promulgaria uma lei que instituísse o cheque ensino.

Alegre: 2. O art.º 75.º da Constituição determina que "o Estado criará uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população". Qualquer tentativa de privatizar essa obrigação é contrária à Constituição. A utilização do cheque-ensino é uma estratégia de estímulo à privatização, com os lucros das escolas assegurados directamente pelo Estado, enquanto pagador de um serviço de educação com o dinheiro dos impostos de todos, sem a garantia ética e política de assegurar a justiça e a equidade.
Blogger Elise, at novembro 22, 2006 11:55 da manhã  

Add a comment

Links to this post:

Criar uma hiperligação